sábado, 20 de junho de 2026

NVIDIA RTX Spark, contexto e perspectivas

No inicio deste mês recebi um email da Nvidia apresentando o RTX Spark, basicamente um SOC ARM feito em colaboração com a Mediatek e com GPU RTX integrada. Vou até postar o cabeçalho do email aqui porque vai servir também para analise depois:

 

De um modo geral era o esperado,  já haviam rumores, e também era o passo lógico para competição com o Snapdragon X Elite e os chips M da Apple, que vinham sendo usados cada vez mais para rodar modelos LLM locais, principalmente este último, devido a memória unificada. E de início leva uma vantagem técnica enorme por vários motivos que veremos mais no final.

Logo em seguida ao anúncio da Nvidia a mídia especializada de hardware o cobriu em peso, inclusive pela falta de novos lançamentos na área ultimamente, e esse é mais um ponto a se guardar na memória para a conclusão final. O que quase todos esses analistas, todos os que eu vi na realidade, concordam é que essa solução, como mencionado antes, estaria pelo menos inicialmente se destinando ao mercado profissional que precisa da carga de trabalho que é bem atendida pela GPU integrada, ou seja, IA local, renderização e etc. E os games? Agora cito o cabeçalho que mostrei no inicio, interessante que acabamos de estabelecer, o remetente seja "gaming@nvgaming.nvidia.com". E apesar também das fotos do evento fartamente divulgadas do Jensen segurando os dois laptops rodando jogos, como essa abaixo, que ninguém se engane, não fazem o menor sentido para o jogador no momento, vamos entender porque.

Jensen Huang Shows Off NVIDIA's New RTX Spark Laptops 😮 

Citando o press release linkado no email:

 "Powering agents on local devices requires both robust security and performant hardware. RTX Spark features up to 1 petaflop of AI compute and 128GB of unified memory to meet the processing demands of on-device agents."

Ora, qual a faixa de preço de um equipamento com 128 GB e uma GPU equivalente a uma 5070? Mas não é só isso, Há a questão da compatibilidade limitada dos jogos com ARM usando a camada de emulação Prism da Microsoft. Muitos títulos sequer abrem, e a maioria terá uma performance muito inferior e/ou alguns bugs. Jogos nativos são exceção atualmente. Ou seja, mesmo o entusiasta com dinheiro "infinito" não teria motivos de adquirir esta máquina (hipotética) atualmente para jogos, porque teria um resultado muito melhor gastando menos dinheiro com soluções tradicionais de desktop x86. Eu sei disso, todos os influencers que eu vi sabem disso, todos que acompanham hardware deveriam saber, e Jensen com certeza também sabe. Mas então porque o esforço em posar para a mídia segurando esses dois laptops, e ainda, porque direcionar um email apresentando o produto para a base de usuários domésticos de placa de vídeo (que foi o meu caso).

Aqui entra a minha interpretação pessoal dos fatos. Primeiro, junte a isso que não há lançamentos significativos na área neste momento, que praticamente todos os recursos da Nvidia estão direcionados para datacenter e IA. Então para mim é como se a empresa dissesse: "Não esquecemos de vocês, fiquem aí, coisas boas virão..." ao invés de simplesmente: "Pois é, acabou, tudo um dia acaba, obrigado por tudo...". Mas na realidade o que realmente acredito é que, apesar de não estarem focando no mercado doméstico no momento,  eles não vão abandonar completamente o segmento, só não será mais como era antes, alguma coisa virá, mas talvez não como se esperava que seria. Então vale a pena para a Nvidia um baixo investimento de marketing (emails, tempinho de palco na apresentação) pra não estimular toda a base de clientes a debandar para a concorrência.

Voltando ao Spark, qual a probabilidade de ele chegar com preço compatível com o mercado consumidor individual não especializado, que não ganha dinheiro com um PC com esses requisitos? No médio prazo talvez, quando houverem cortes do chip menores, o que faz parte do processo de fabricação de qualquer chip, e se ele for empacotado junto com menos RAM, digamos 64 ou 32 GB, ai talvez se aproximem dos atuais laptops com Snapdragon X Elite, que ainda são posicionadas como máquinas premium. E na minha opinião, levando alguma vantagem.

Primeiro, porque a GPU da Nvidia terá muito mais capacidade bruta de processamento que as atuais NPU do Snapdragon X Elite, ou mesmo do X2 Elite. E leva vantagem em compatibilidade, a maioria dos softwares de LLM  local é projetada roda nativamente em GPUs, poucos rodam nativamente na NPU da Qualcomm. Vai ganhar provavelmente do M5 também, sendo uma alternativa para quem não quer um Mac. 

Resumindo, apesar de que neste momento muitos possam sentir que ficaram de fora, o anuncio é positivo em geral, tanto porque ele pode chegar depois a um segmento mais barato, possibilitando inclusive o uso de LLM local em menor escala, como porque vai estimular a competição com outros fabricantes. E num futuro muito distante, quem sabe até se torne viável para jogos.

Mas e quanto ao futuro do atual modelo de GPUs dedicadas para PCs DIY? Neste ponto a minha previsão atual não é nada boa. Não acho que vai acabar amanhã, mas também não percebo chances de grande evolução. Por um lado, parece que tecnicamente se chegou a um limite do aumento viável da rasterização bruta, e se está dependendo cada vez mais de IA para fazer o trabalho. Por outro, a necessidade de injetar mais potência elétrica levou a sistemas de arrefecimentos imensos, que levam a placa de vídeo a precisar de um suporte adicional pra não entortar, ou novos conectores como o infame 12VHPWR, substituído depois sem muito sucesso pelo 12V-2x6, e seus derretimentos e incêndios. Ao mesmo tempo, quem quer rodar uma IA local esbarra em uma quantidade de VRAM limitada mesmo nos modelos de GPUs mais caros, o que é a grande vantagem das soluções com memória unificada como a da Apple. E os gamers continuarão também insatisfeitos com pouca VRAM, sofrendo com os também infames 8 GB de VRAM nos modelos mais populares (os que a maioria pode comprar), dificuldades técnicas (conector, tamanho da placa) e preço alto. Também tem os que se orgulham das placas imensas, ocupando 4 slots, cheias de fans e com suportes pra não despencar com o próprio peso, mas vamos deixar os ostentadores de lado aqui. Racionalmente, tamanho, peso, dissipação, consumo  elétrico e preço aumentando são problemas. E lidar com consumidor final de placa também é problema para as fabricantes: RMA, inclusive aumentando por causa o conector, canais de suporte, marketing separado, embalagem, distribuição. E aqui nem é exatamente a Nvidia, mas Asus, Gigabyte, MSI, Palit, que AINDA fabricam GPUs dedicadas. 

Parece que a Nvidia já percebeu tudo isso e está apostando suas fichas em outro lugar, e com razão. Datacenters e no lado do consumidor final, fabricantes terceiros integrando os chips em soluções completas: Lenovo, HP, Dell. Citando novamente o press release:

 "RTX Spark-powered slim Windows laptops with all-day battery life and premium displays, as well as compact desktop PCs available this fall from ASUS, Dell, HP, Lenovo, Microsoft Surface and MSI, with models from Acer and GIGABYTE to follow."

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

O fim da GALAX. Acabou mesmo?

O primeiro impacto foi o vídeo (short) do Ronaldo Buassali semana passada, informando sobre o encerramento da Galax. O que me veio à mente: a lembrança do fim da EVGA, o fim da Crucial, e no subconsciente talvez mais uma confirmação da decadência no PC DIY. Depois vieram as contra-notícias: a Galax não ia acabar, era uma "reestruturação", o nome e a marca continuam ...

Vamos separar os fatos de opiniões e narrativas. O que de fato aconteceu foi o fim de uma empresa. Sim, ela já era subsidiária da Palit. Então sim, a versão de que foi uma reestruturação também não está errada, mas concretamente, é o fim de uma "estrutura", equipes inteiras de pessoas, cargos, contabilidade própria, e do relacionamento comercial de representantes da marca como por exemplo o próprio Ronaldo. Logo, a versão dele faz total sentido. A empresa, por mais que fosse uma subsidiária e compartilhasse uma estratégia com a controladora, poderia definir uma identidade própria, controle de qualidade diferente, público alvo, segmentação, etc. No meio automobilístico isso é muito comum, grandes conglomerados, como a GM e Stellantis, possuem diversas marcas para faixas de preço, interesses, enfim públicos diferentes, resultando em produtos de qualidade e especificações muito distintas.

Mas a marca Galax vai continuar, publicou a Palit. Ver o comunicado oficial. Pode ser, mas isso é só uma promessa, talvez uma intenção, fica no futuro, enfim, não é um fato. De concreto nada e, mesmo que continue, já não teria o mesmo nível de independência. A integração faz sentido do ponto de vista econômico, não estou de modo algum criticando ou condenando.

 GeForce RTX™ 5080 HOF Gaming GALAX

Se compara com o fim da EVGA? Embora isso tenha me vindo a mente no inicio, de fato é bem diferente. A EVGA era uma empresa completamente independente e seu fim teve realmente mais impacto. E quanto à Crucial? É mais parecido, já ela também foi encerrada pela controladora (Micron). Mas acontece que aí também houve mais impacto no mercado, pois a Micron parou de vender produtos para o consumidor final.

Isso leva ao problema da perda de concorrência. Ora, não creio que uma controladora mantenha uma subsidiária para competir de verdade, canibalizar seu mercado. Então não vejo menos concorrência em geral. Mas com algumas exceções, aqui no Brasil não temos muita presença de Palit ou outras marcas controladas além de Galax, então se sai a Galax e elas não ocupam o lugar, aqui no Brasil em particular teríamos menos uma opção, e relevante.

E por fim, a decadência ou crise do mercado DIY. Pois o pano de fundo evidente é a pressão no mercado pela falta de insumos (notadamente RAM) e a competição implacável de outro segmento da indústria, datacenters para IA.

Neste ponto vamos citar o próprio comunicado da Palit sobre o assunto, transcrito pelo artigo no site WCCFTech:

"Optimize Supply Chain: Streamline production and logistics to better serve our international markets." 

Para surpresa de zero pessoas (pelo menos entre as que acompanham tecnologia). A consolidação advém pelo menos em parte da pressão por manter a margem de lucro diante dos custos crescentes na cadeia de suprimentos. Ou seja, sim, está relacionada pelo menos em parte com uma "crise no PC gamer".

Minha opinião pessoal é que não há motivo para desespero, operações corporativas deste tipo são comuns. No fundo já era o mesmo conglomerado, gerido pela mesma estratégia e servindo aos mesmos acionistas, eles estão enxugando custos. Mas um dos motivos pelos quais decidiram isso especificamente agora é significativo. E, segundo a Palit, a Galax continua. Ninguém perde garantia, e no curto prazo ao menos nada muda.

sábado, 11 de abril de 2026

Workstation para LLN local - parte 2: instalando e configurandoi o WebUI

No primeiro artigo desta série mostramos como instalar o Ollama para permitir rodar LLMs locais usando duas GPUs. Nesta segunda parte vamos configurar uma interface Web semelhante a de IAs comerciais como Chat-gpt e Gemini, rodando em servidor web local em containet docker. 

Caso o docker ainda não esteja instalado no seu sistema será necessário fazê-lo. Como isso pode variar dependendo da distribuição, indico a página de documentação do docker:  https://docs.docker.com/engine/install/

Em seguida vamnos baixar e rodar o container da Open WebUI:

$ sudo docker run -d -p 3000:8080 --add-host=host.docker.internal:host-gateway -v open-webui:/app/data --name open-webui ghcr.io/open-webui/open-webui:main


Depois da inicialização a WebUI poderá ser acessada pelo browser:

            http://localhost:3000


Na primeira execução será preciso criar um usuário e senha. Note que para isto funcionar também deve ter sido feita a configuração da inicialização do Ollama no arquivo override.conf:

[Service]

Environment="CUDA_VISIBLE_DEVICES=1,0"

Environment="OLLAMA_HOST=0.0.0.0"

 

Veja o primeiro artigo referenciado no início para mais detalhes. 

Se o container não estiver configurado para auto-execução no reinicio do sistema, o que prefiro para economia de recursos, é necessário execitar antes, depois de um reinicio do PC:

            $ sudo docker start open-webui


O processo pode ser facilitado com a criação de scripts e atalhos na área de trabalho. Por exemplo, crie o arquivo  "iniciar_ia.sh:

#!/bin/bash

sudo systemctl start ollama

sudo docker start open-webui

notify-send "IA Iniciada." 

 

Caso, ao contrário, prefira que a WebUI sempre reinicie junto com o sistema:

$ sudo docker update --restart always open-webui


Caso esteja obtendo erro, verifique se o Ollama está sendo executado:

$ systemctl status ollama


E se necessário, o reinicie. Garanta também que o próprio docker está sendo reiniciado no boot:

$ sudo systemctl enable docker.service

$ sudo systemctl enable containerd.service


Neste ponte temos um sistema plenamente funcional com duas GPUs utilizando Ollama e WebUI para prompt. Como foi comentado no primeiro artigo, o fato de existirem duas GPUs na máquina pode gerar algum conflito no linux em alguns jogos. No WoW por exemplo, depois de muita pesquisa e tentativa e erro, a solução foi configurar dentro do jogo para DX11 (e não 12). Não é o ideal, mas também não notei diferença. A solução específica vai depender do título. Mas adianto também que existem configurações no Lutris e na Steam que podem ser feitas. No GW2 utilizei um parâmetro de configuração na Steam. Clique com o botão dirreito no jogo (na biblioteca), depois Propriedades e sem seguida Opções de Inicialização. No acampo adicione:

 __NV_PRIME_RENDER_OFFLOAD=0 __GLX_VENDOR_LIBRARY_NAME=nvidia %command%


Isso vai direcionar a carga para a GPU 0, que como vimos nno primeiro artigo é a que está ligada ao monitor.

Por fim, cabe uma nota sobre a atualização do Ollama. Pode ter sido notado no artigo anterior que ele não foi instalado por meio do gerenciador de pacotes do sistema. Com isso ele também não será atualizado junto com os demais pacotes com apt-get update e upgrade. Para atualizar o Ollama basta rodar novamente o script de instalação, com o mesmo comando passado no primeiro artigo. è recomendável apenas fechar qualquer processamento que esteja sendo executado ou aba do Open WebUI antes. Para verificar se é necessária atualização rode o comando:

        $ ollama --version

E compare com a última versão disponível.


Referências: 

Documentação sobre a Open Web UI pode ser encontrada em https://github.com/open-webui/

 

Método Telecom adquire telefonia fixa da Oi

No dia 8 de abril de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro homologou a venda da operação de telefonia fixa da Oi para a empresa mineira Método Telecom. A transação, realizada via leilão judicial no contexto do processo de falência da Oi, foi fechada pelo valor de R$ 60,1 milhões, pagos à vista. A Método Telecom superou a proposta da Sercomtel, que oferecia R$ 60 milhões de forma parcelada, tornando-se a vencedora para assumir a Unidade Produtiva Isolada (UPI, divisão de ativos isolada para venda em processos de recuperação judicial) de Serviços Telefônicos.

Os ativos envolvidos na negociação abrangem a infraestrutura física, como torres, postes, cabos e os tradicionais "orelhões", além da manutenção da base atual de clientes. A área geográfica de atuação é vasta e crítica, compreendendo mais de 7,4 mil localidades em todo o Brasil onde a Oi era a única prestadora do serviço. No setor de telecomunicações, a Método assume também a responsabilidade por serviços essenciais de utilidade pública, como as linhas de emergência (190, 192 e 193), com a obrigação contratual de garantir a continuidade da telefonia fixa nessas regiões até, pelo menos, dezembro de 2028. A transação foca na UPI Serviços Telefônicos, que lida majoritariamente com a rede de cobre (STFC) e obrigações de universalização.

Essa movimentação sinaliza uma transição importante no mercado: a saída definitiva de grandes grupos concessionários de modelos de negócio legados em direção a operações mais enxutas e regionalizadas. Para o setor, a entrada da Método Telecom, livre de dívidas anteriores da Oi, pode representar mais dinamismo na gestão de serviços que, embora em declínio nos grandes centros, permanecem vitais em áreas isoladas. A tendência é que a telefonia fixa passe a ser operada por empresas de médio porte focadas em eficiência operacional e manutenção de infraestrutura essencial, enquanto o mercado de telecomunicações como um todo se consolida em torno da conectividade móvel e da fibra óptica de alta velocidade.

terça-feira, 31 de março de 2026

Quero ficar no meu sistema antigo! Dica rápida para o Ubuntu

Com a data de lançamento do Ubuntu 26.04 LTS se aproximando, 23 de abril de 2026, precisei decidir se vou entrar na nova versão ou me manter na atual. Até não muito tempo atrás a minha mentalidade para linux no PC era que novo = bom, quero novidades, e não há dúvidas. E de fato continuo gostando de novidades, mas dado que estou usando o PC com o Ubuntu para uso pessoal, entretenimento e trabalho, há outras coisas a considerar. O fator estabilidade e previsibilidade pesam mais. Decidi ficar no 24.04 por enquanto, e abaixo explico porque, lembrando que esta não é necessáriamente a melhor opção para todo mundo, então vamos detalhar alguns pontos a serem considerados e ajudá-lo a tomar a melhor decisão para a sua realidade.